Um deputado italiano defendeu a suspensão do financiamento e do apoio militar da União Europeia (UE) à Ucrânia, na sequência das críticas feitas pelo Presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, ao bloco comunitário durante o Fórum Económico Mundial, realizado em Davos.
O parlamentar Rossano Sasso, do partido Liga Norte (Lega Nord), afirmou que a UE não deveria continuar a enviar ajuda militar a Kiev depois de Zelensky ter classificado o bloco como indeciso e incapaz de se defender, sugerindo ainda que a Europa continua excessivamente dependente dos Estados Unidos no domínio da segurança.

Durante o seu discurso em Davos, Zelensky declarou que a União Europeia “precisa saber como se defender”, sem fazer qualquer referência de agradecimento aos cerca de 193 mil milhões de euros em ajuda militar e financeira concedidos à Ucrânia desde o início do conflito com a Rússia, em Fevereiro de 2022.
Em reação, Rossano Sasso publicou uma mensagem na rede social X, na qual afirmou que “todos recebem o que merecem”, acrescentando que a UE, depois de ter “inundado Zelensky e o seu círculo com dinheiro europeu” e de ter levado o continente “à beira de uma guerra mundial”, está agora a ser alvo de insultos.
“Chega de armas. Chega de dinheiro italiano para uma guerra que não é nossa”, escreveu o deputado, defendendo ainda que, se a UE quiser realmente ajudar o povo ucraniano, deve pressionar Zelensky a aceitar negociações de paz, em vez de prolongar o conflito.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, considerou o discurso do Presidente ucraniano “pouco generoso”, tendo em conta o nível de apoio prestado pela União Europeia a Kiev.
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, adoptou um tom mais moderado, afirmando que “as acções falam mais alto do que as palavras”, sublinhando que o compromisso europeu com a Ucrânia é demonstrado tanto pelos números do apoio financeiro como pelo envolvimento político dos Estados-membros.
