O Governo angolano identificou áreas agrícolas nas províncias do Cuanza-Norte, Uíge e Malanje para a implementação de uma cooperação agrícola com empresários brasileiros, com vista ao reforço da produção nacional de alimentos.
A informação foi avançada esta terça-feira, 20 de Janeiro, em Luanda, pelo secretário de Estado para as Florestas, João da Cunha, no final de uma reunião entre a equipa económica do Executivo angolano e o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro. O encontro foi orientado pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.


Segundo João da Cunha, além das províncias já identificadas, existem outras com grande disponibilidade de terras aráveis, nomeadamente o Moxico Leste, Cuando Cubango, Lunda-Norte e Lunda-Sul, onde a fronteira produtiva poderá ser progressivamente alargada.
O objectivo da cooperação, explicou o governante, é permitir que empresários angolanos e brasileiros iniciem a produção agrícola o mais rapidamente possível, evitando mais atrasos num sector considerado estratégico para o país.
Numa primeira fase, a parceria com o Brasil estará centrada na produção de grãos e cereais, áreas em que Angola regista um défice significativo. Entre as culturas prioritárias destacam-se o milho, a soja, a massambala e o massango, produtos para os quais o Brasil dispõe de tecnologia comprovada capaz de impulsionar a produtividade agrícola nacional.
Para além dos cereais e leguminosas, João da Cunha revelou que grupos empresariais brasileiros manifestaram interesse em investir na produção de cana-de-açúcar, visando a produção de açúcar e etanol. Esta aposta poderá, segundo o responsável, complementar o desenvolvimento da pecuária, especialmente da bovinicultura, através do aproveitamento de subprodutos do milho e da cana-de-açúcar.
No âmbito da cooperação, está prevista a deslocação de uma delegação angolana ao Brasil, em Março próximo, com o objectivo de concluir aspectos técnicos ainda pendentes, sem comprometer o andamento do projecto. De acordo com o secretário de Estado, já decorrem acções concretas no país, com empresários brasileiros em contacto directo com empresas angolanas que operam no terreno.
Caso o cronograma seja cumprido, o Governo acredita que, no início do próximo ano agrícola, em Setembro, já poderão ser registados resultados práticos da cooperação.
Por sua vez, o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, afirmou que o seu país deu mais um passo decisivo no reforço da cooperação com Angola, através da apresentação de uma proposta estruturante que prevê investimentos, transferência de tecnologia e parcerias entre produtores dos dois países.



O governante brasileiro destacou as semelhanças climáticas, de solo e culturais entre Angola e o Brasil como factores favoráveis à rápida expansão agrícola. Recordou ainda que o Brasil investe há mais de cinco décadas em ciência e tecnologia, com destaque para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), considerada a maior instituição de pesquisa agropecuária tropical do mundo.
Carlos Fávaro garantiu que o Brasil disponibiliza linhas de financiamento através do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil, abrangendo crédito para custeio, investimento e exportação. O volume do financiamento, sublinhou, dependerá da procura apresentada pelos produtores.
O ministro reconheceu os investimentos de Angola em infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, mas defendeu o reforço das infra-estruturas dentro das propriedades agrícolas, sobretudo em áreas como armazenamento de grãos e sistemas de irrigação, reiterando a disponibilidade do Brasil para financiar equipamentos e tecnologias agrícolas a serem utilizados no país.