Por Denílson Duro
Ah, que espectáculo sublime da democracia transatlântica! Quase metade dos portugueses que vivem aqui em Angola, a mamar as benesses do nosso generoso governo, sim, aquele do partido socialista que lhes abre portas e sustenta regalias, decidiu votar no… André Ventura! Sim, o próprio, o mestre do discurso inflamado contra imigrantes, xenófobo, racista e “anti-irmãos” de migração. Incrível como a gratidão é tão relativa quando se mistura com ideologia, não é?

Perceba-se a lição: enquanto o governo insiste em importar mão de obra qualificada, supondo que trarão consigo eficiência, ética de trabalho e alinhamento com as fontes de rendimento do país, temos a prova viva de que a qualificação não vem com a ideologia nem com o senso de reciprocidade. Aqui estão eles, vivendo confortavelmente à conta do sistema, e mesmo assim optam por apoiar o senhor que basicamente diz que gente como eles não devia existir! Bravo, meus caros! É quase poético; quanto mais oportunidades lhes damos, maior o risco de escolherem alguém que nos acusa de ser demasiado hospitaleiros.
E, claro, não podemos esquecer o efeito pedagógico: esta votação é uma aula magna sobre o que significa importar talento sem calibrar os valores. Nada de alinhamento estratégico, nada de patriotismo ou ligação às fontes de renda, apenas uma declaração clara: a mão de obra qualificada pode ser altamente competente… em votar contra quem a sustenta.
Que ironia deliciosa! Em suma, meus amigos, a moral é cristalina. Se quiser importar mão de obra que agrade, talvez seja melhor ensinar política antes de ensinar competências técnicas. Porque, pelo visto, competências sem ideologia alinhada são apenas votos para quem nos critica.