Os portugueses foram, ontem, às urnas para eleger o novo Presidente da República, marcando o fim do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Na primeira volta das eleições presidenciais, António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista (PS), obteve o maior número de votos, seguido por André Ventura, líder do Chega. Com este resultado, ambos avançam para a segunda volta, que irá decidir o sucessor do atual Presidente.
As mesas de voto abriram às 08h00 e encerraram às 19h00 em todo o território nacional. Participaram mais de 11 milhões de eleitores inscritos, com uma taxa de participação até às 16h00 estimada em 45,51%, valor superior ao registado nas presidenciais de 2021. A mobilização eleitoral indica um interesse elevado da população portuguesa, mesmo perante um contexto político marcado por debates sobre saúde, economia e estabilidade governativa.



Conforme os resultados provisórios, Seguro recebeu aproximadamente 31,11% dos votos, enquanto Ventura alcançou cerca de 23,52%. O terceiro lugar ficou com João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, com cerca de 16%, seguido por Henrique Gouveia e Melo com 12% e Luís Marques Mendes com 11%. No total, 11 candidatos competiram, refletindo a diversidade de opções políticas na eleição. A distribuição dos votos demonstra uma fragmentação significativa do eleitorado, com cinco candidatos obtendo percentagens de dois dígitos, o que torna inevitável a realização de uma segunda volta.

A análise geográfica dos resultados mostra que Seguro liderou em várias regiões do interior, incluindo Guarda e Castelo Branco, com percentagens superiores a 30%.
Ventura conseguiu melhores resultados em algumas regiões do Algarve e na Madeira, consolidando a sua base de apoio. A diversidade de padrões de votação reflete diferentes perspetivas políticas e sociais entre as regiões do país.

Candidatos que ficaram de fora da segunda volta, como Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo, anunciaram que não irão apoiar formalmente nenhum dos dois finalistas. A liderança de Seguro coloca o candidato socialista numa posição de destaque, mas Ventura mantém uma base sólida que poderá influenciar significativamente o resultado da segunda volta. Analistas sublinham que os eleitores indecisos e os apoiantes dos candidatos eliminados terão papel decisivo na definição do próximo Presidente.
O cargo de Presidente da República em Portugal possui funções constitucionais importantes, incluindo a dissolução do Parlamento e a promoção de consultas políticas, ainda que o papel seja predominantemente representativo. As eleições de ontem indicam uma mudança no panorama político, com a ascensão de uma candidatura de direita populista a disputar a segunda volta, o que não acontecia em eleições recentes.
Historicamente, as presidenciais portuguesas são caracterizadas por candidatos apoiados pelos principais partidos dominando a corrida. Desde 1976, a maioria das eleições exigiu segunda volta devido à dispersão dos votos, mas a presença de Ventura no top dois reflete mudanças no eleitorado e no cenário político do país. A segunda volta está marcada para 8 de fevereiro de 2026, quando os portugueses irão novamente às urnas para decidir quem será o próximo Presidente da República.
