O missionário italiano Luigi de Liberale, membro dos Salesianos de Dom Bosco (SDB), solicitou o reforço das medidas de segurança em instituições religiosas após ter sido ferido numa tentativa de assalto em Benguela. O incidente ocorreu na noite de 7 de janeiro, quando o sacerdote de 73 anos foi abordado por um indivíduo nas proximidades da residência comunitária. O agressor utilizou uma haste de metal e um pé-de-cabra, causando ferimentos na cabeça do religioso que necessitaram de assistência médica e sutura.
Sobre a dinâmica do assalto e a fuga do suspeito, o Padre Luigi relatou: “O ataque durou apenas cinco minutos, mas foi o suficiente para me deixar gravemente ferido. Gritei pelos guardas, mas eles estavam longe. Ele fugiu saltando por cima do muro, deixando para trás as ferramentas que pretendia usar para invadir o meu escritório”. O material abandonado pelo agressor foi recolhido no local após a tentativa frustrada de invasão ao edifício administrativo da missão.

O missionário indicou que este episódio reflecte uma vulnerabilidade estrutural nas instalações da Igreja na região. “O ambiente é um tanto escuro. As paredes não são muito altas e não há arame farpado em todos os cantos. Agora tenho medo de ir ao meu escritório à noite porque alguns jovens já estão acostumados a saltar sobre as muralhas”, explicou o Padre Luigi, relacionando a falta de iluminação e segurança física com a recorrência de incidentes nas paróquias.
Este contexto de insegurança estende-se à Arquidiocese de Malanje, onde o pároco João Paulo Machado Freitas denunciou a reincidência de crimes contra o património da Igreja. O sacerdote referiu-se ao caso de um jovem de 20 anos, detido por vandalismo e profanação no dia 1 de janeiro, libertado pelas autoridades pouco tempo depois. Segundo o Padre Freitas, o suspeito já havia sido detido em novembro por crimes semelhantes na mesma missão, tendo sido solto 48 horas após a detenção.

O posicionamento do clero aponta para uma falha na articulação entre os órgãos de polícia e o Ministério Público no tratamento destes casos. O Padre João Paulo Freitas afirmou que a libertação constante de indivíduos detidos em flagrante compromete a confiança nas instituições de justiça e desvaloriza o esforço policial. O sacerdote salientou que a impunidade encoraja a continuidade das práticas criminosas e gera um clima de insegurança entre os cidadãos e as congregações religiosas.
Além das questões de ordem física e patrimonial, os religiosos destacaram o impacto da profanação de símbolos sagrados, como o Santíssimo Sacramento. Para os representantes da Igreja Católica, estes actos ultrapassam o furto comum, atingindo a liberdade de culto e a integridade das comunidades de fiéis. O apelo estende-se à necessidade de aplicação rigorosa das leis vigentes e ao respeito pelas instituições para garantir a ordem pública e a segurança colectiva nas várias dioceses do país.
Apesar da insegurança relatada, o Padre Luigi de Liberale mantém a continuidade do seu serviço missionário, tendo focado o seu trabalho recente na coordenação da Escola Profissional Dom Bosco, em Benguela. Através deste projecto, o sacerdote tem liderado a formação técnica de jovens locais em áreas como mecânica e eletricidade, visando a inserção no mercado de trabalho. Para o missionário, o fortalecimento destas iniciativas educativas é a via fundamental para reduzir a marginalidade e garantir a estabilidade social na região.
