O comandante provincial da Polícia Nacional na Huíla informou, segunda-feira, que existem na região 15 zonas activas de garimpo ilegal de ouro, distribuídas pelos municípios do Cuvango, Dongo e Jamba, envolvendo mais de 26 mil indivíduos, entre nacionais e estrangeiros.
Em declarações à imprensa, Divaldo Martins afirmou que a situação preocupa as autoridades da província, por estar a causar impactos negativos na segurança pública, no meio ambiente e na economia local, uma vez que o ouro é explorado de forma clandestina, sem qualquer retorno efectivo para os cofres do Estado.
Segundo o responsável, a actividade favorece ainda o surgimento de redes de criminalidade e expõe os próprios garimpeiros a riscos elevados, devido às precárias condições de trabalho e à ausência de controlo técnico.
Por seu turno, o administrador municipal do Cuvango, Luís Paulo Ndala, defendeu que, caso a exploração de ouro seja enquadrada de forma legal e organizada, pode transformar-se numa oportunidade de desenvolvimento para a região.
O gestor considera que a criação de cooperativas mineiras, integrando cidadãos locais do município e da província, permitiria transformar o garimpo numa actividade regulada, geradora de emprego e de receitas fiscais.
“As pessoas vão para o garimpo à procura de recursos para se sustentarem”, afirmou, defendendo que o garimpeiro deve ser visto como trabalhador e não apenas como infractor.
A opinião é partilhada por residentes das zonas afectadas. António Paulo, morador do município do Cuvango, aponta a falta de alternativas económicas como a base do problema.
“Muitos jovens desempregados, sem apoio para trabalhar na agricultura, acabam por ir ao garimpo como única forma de sobrevivência”, salientou.
Já Maria da Conceição, comerciante na vila do Dongo, alertou para os efeitos negativos da actividade ilegal na vida das comunidades, sublinhando que, sem controlo, o garimpo intensifica o movimento de pessoas e bens, aumenta a insegurança e contribui para a destruição dos rios.
As autoridades defendem, por isso, uma abordagem integrada, que combine o reforço da fiscalização com políticas sociais e económicas capazes de criar alternativas de rendimento, sobretudo para os jovens, transformando um problema de segurança num factor de desenvolvimento sustentável para a região.
