O presidente angolano, João Lourenço, convidou os bispos da Conferência Episcopal das Igrejas Cristãs e Evangélicas do Congo (CENCO) a Luanda, a fim de procurar apoio para a pacificação da República Democrática do Congo, que enfrenta uma rebelião armada do R23 e a agressão armada acusada ao vizinho Ruanda, no leste do país africano, segundo uma nota da página do Facebook da Presidência Angolana.
De acordo com a nota, a instabilidade persistente no leste da República Democrática do Congo (RDC) tem-se afirmado, ao longo dos últimos anos, como um dos principais focos de tensão política e humanitária da região dos Grandes Lagos.

A presidência angolana que lidera a União Africana, a presença de grupos armados, confrontos recorrentes, deslocações em massa de populações civis e fragilidade do controlo estatal continuam a comprometer a segurança interna e a estabilidade regional.
“Apesar de sucessivas iniciativas diplomáticas”, diz a nota divulgada, “os acordos regionais e esforços de mediação, a situação permanece volátil, com impactos diretos não apenas para a RDC, mas também para os países vizinhos, incluindo Angola, dada a proximidade geográfica, os fluxos migratórios e as implicações para a segurança transfronteiriça.”

Neste contexto, Angola tem assumido um papel crescente na diplomacia regional, sobretudo desde que o Presidente da República, João Lourenço, passou a exercer a presidência rotativa da União Africana. A sua actuação tem sido marcada pela aposta no diálogo político, na concertação regional e no envolvimento de actores com influência social e moral nos processos de pacificação.
“É neste quadro que se insere a iniciativa do Chefe de Estado angolano de convidar a Luanda os bispos da Conferência Episcopal das Igrejas Cristãs e Evangélicas do Congo (CENCO)”, argumenta a presidência de Angola, “reconhecendo o papel histórico das lideranças religiosas congolesas como mediadoras, promotoras de reconciliação nacional e interlocutoras credíveis junto das comunidades afectadas pelo conflito.”

A diligência surge poucos dias após o Presidente da RDC, Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, ter-se deslocado a Luanda em dois momentos distintos numa mesma semana, sublinhando a centralidade da capital angolana como plataforma diplomática para a busca de soluções duradouras para a crise congolesa.
