O Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) tomou a decisão surpreendente de anular o concurso público de ingresso nos tribunais da jurisdição comum, um processo que estava em curso desde o último ano e que oferecia cerca de 500 vagas para funcionários judiciais. A medida surgiu na sequência de uma série de reclamações de pré‑seleccionados, que questionaram o critério e a objectividade da avaliação documental utilizada na fase inicial do certame.
Segundo a própria entidade responsável pela organização do concurso, a escolha de métodos de avaliação não foi devidamente documentada e acabou por violar princípios legais fundamentais, como a transparência, o rigor e a imparcialidade, consagrados tanto na Lei das Bases da Função Pública quanto no decreto presidencial que regulamenta processos de recrutamento e selecção. Ao adoptar a avaliação documental como método eliminatório em fase externa — quando nesse tipo de certame a regra costuma ser a prova escrita. O CSMJ reconheceu que foi abandonado um padrão que garante maior clareza e igualdade de oportunidades para os candidatos.
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A decisão de anular o concurso não foi unânime entre os interessados. Diversos pré‑seleccionados manifestaram-se publicamente, classificando o acto como injusto e responsabilizando o próprio CSMJ pela má condução processual. Alegam que eventuais falhas internas seriam, em última análise, responsabilidade da instituição organizadora, e criticam a falta de mecanismos eficazes de diálogo e de correção imediata durante o processo
Do lado institucional, o CSMJ prometeu corrigir os erros no próximo concurso, assegurando que será observada com mais rigor a legislação aplicável e que serão favorecidos métodos de avaliação que não suscitem dúvidas quanto à sua legalidade e objectividade. A promessa inclui a adopção de procedimentos mais claros e uma divulgação mais ampla dos critérios e das etapas do processo, com o objectivo de restaurar a confiança dos candidatos e do público.
Analistas e parte da opinião pública, no entanto, veem esta situação como um reflexo de problemas crónicos na administração pública angolana, em particular na condução de concursos públicos. A anulação por falta de transparência fragiliza não apenas a credibilidade da instituição responsável, como também põe em causa as expectativas de milhares de cidadãos que investiram tempo e recursos na preparação para o concurso.
Com a anulação consumada, aguarda‑se agora a definição de um novo calendário para realização de provas escritas, método considerado mais objectivo e equitativo para selecção de pessoal. Como o CSMJ lidará com esta nova fase será determinante para o modo como futuros concursos serão organizados e para a percepção de justiça no acesso a vagas públicas no sistema judiciário angolano.
