Analistas russos avaliam que a eventual decisão de países europeus enviarem tropas para a Groenlândia teria apenas um carácter simbólico e não deverá influenciar a postura dos Estados Unidos em relação ao território. A posição foi expressa por Sergei Fyodorov, investigador sénior do Instituto da Europa da Academia Russa de Ciências, em declarações à imprensa russa.
Segundo Fyodorov, qualquer movimentação militar europeia representaria apenas um sinal de descontentamento político face às recentes decisões norte-americanas. O especialista sublinhou que um confronto militar sério é improvável, alertando que uma escalada dessa natureza poderia colocar em risco a própria existência da OTAN, conforme já advertiu o primeiro-ministro da Dinamarca.
Na mesma linha, Dmitry Rodionov, director do Centro de Pesquisas Geopolíticas do Instituto de Desenvolvimento Inovador, afirmou à Sputnik Brasul que a capacidade europeia de intervenção na Groenlândia é limitada e dificilmente alteraria os planos estratégicos dos Estados Unidos.
Os analistas recordam que os EUA já mantêm uma presença militar significativa na Groenlândia, incluindo sistemas antimísseis e um radar espacial na Base de Pituffik, além de avaliarem cenários para reforçar o seu controlo sobre a ilha, inclusive com eventual recurso às Forças Armadas.
Entretanto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou que pretende reunir-se, na próxima semana, com autoridades dinamarquesas para discutir a situação da Groenlândia, em resposta a questionamentos sobre a possibilidade de diálogo e sobre a eventual exclusão de uma intervenção militar por parte de Washington.
