Angola é um dos países africanos que o papa Leão XIV planeja visitar em sua primeira viagem pastoral ao continente como papa, anunciou o núncio apostólico no país.
Em entrevista coletiva nesta terça-feira 13/01/2026, o arcebispo Kryspin Witold Dubiel disse que o papa aceitou os convites da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), e do presidente de Angola, João Lourenço, dizendo que o cronograma e o itinerário da visita estão sendo finalizados.

“Neste momento, estamos preparando o plano e o programa para a visita do papa Leão XIV à África”, disse Dubiel. “Ainda não temos detalhes sobre a data exata ou o programa, mas eles serão comunicados assim que forem definidos”.
O arcebispo, natural de Przemyśl, Polônia, exortou todos os cidadãos angolanos a se prepararem para esse importante evento.
“Espero que a visita do Santo Padre seja uma oportunidade para redescobrir os valores que moldaram o povo angolano e para partilhar esses valores com as diversas comunidades que vivem e trabalham em todo o mundo”, disse o diplomata da Santa Sé em Angola, que também representa o papa em São Tomé e Príncipe.
Também na entrevista coletiva, o presidente da CEAST exortou aos angolanos para que participem das comissões que serão criadas para preparar a visita papal.
“Cada uma dessas comissões deverá dar o seu melhor na preparação, promoção e realização de todas as tarefas que lhe forem atribuídas”, disse o arcebispo de Saurimo, Angola, José Manuel Imbamba.
Uma “boa múxima” a Santa Sé

O estado Angolano trabalha a contra relógio para a finalização das obras da requalificação da vila da Múxima onde está ser erguida a Basílica da Nossa Senhora da Múxima uma doação do chefe de estado Angolano a igreja católica num país cija a constituição é laica criando um descontentamento de seguimento da sociedade que questiono os privilégios da igreja católica, que parece ser a religião official que não é. Recentimente o chefe de estado visitou as obras de requalificação que coinscidiu com a visita do papa já aceite pelo vaticano.

Nesta altura, setecentas casas estão a ser construídas numa zona adjacente à histórica vila da Muxima.
Trata-se da Urbanização de Coxi, onde as primeiras vivendas começaram a receber moradores e o Chefe de Estado visitou a casa modelo.
A presença do Presidente na vila e perímetros de intervenção permitiu à delegação que trabalhou hoje na Muxima ver de perto arruamentos, estação de tratamento de água, local de implantação da Basílica e a praça que passará a reunir milhares de fiéis em momentos de peregrinação.
A ideia de requalificação da vila da Muxima, um santuário secular da Igreja Católica, nasceu há vários anos no pós-independência, mas só em 2022 aconteceram as primeiras acções. Segindo analistas, com este projecto o presidente procura o favor e inflência da igreja ao seu governo que governo o país há 50 anos.
CEAST agradece o gesto do Papa Leão XIV
O arcebispo Imbamba agradeceu ao papa Leão XIV por ter aceitado o convite para visitar Angola.
O arcebispo de Luanda, Filomeno do Nascimento Vieira Dias, falou sobre a planejada viagem papal como um “momento de grande conforto humano e espiritual”, que ocorre num período especial da história do cristianismo e no ano em que se celebra o Grande Jubileu de Luanda – 450 anos Como Cidade, 450 anos a Celebrar a Fé.
Leão XIV vai visitar país com a Mais Antiga Igreja Católica da África Subsaariana



A exemplo de João Paulo II de feliz memória, Leão XIV terá a chance de visitar o local que alberga a primeira igreja católica construída quando as expedições católicas portuguesas atacaram na foz do rio Congo e fundaram a primeira comunidade católica à sul do Sahaara.
A Catedral de São Salvador do Congo, em Mabanza Congo, Angola, foi construída por pedreiros portugueses em 1491 durante o Reinado de João I do Kongo, e saqueada em 1678 durante a Guerra Civil do Reino do Congo.
No século XIX uma cópia exata da Catedral foi construída na diocese de Mabanza Congo. A Catedral é chamada pelo povo de Culumbimbi. É a mais antiga catedral católica da África Subsaariana. Em 1992 recebeu a visita do Papa João Paulo II.
Em 19 de dezembro de 1490, três navios, enviados por Portugal, sob o comando de Gonçalves de Sousa, chegaram ao Reino do Congo, Angola. Nestes navios embarcaram missionários, soldados, pedreiros e carpinteiros com o objetivo de evangelizar o Reino do Congo. Assim sendo, e cumprindo o objetivo dos missionários, o Rei do Congo Ne Nvemba Nzinga foi batizado com o nome de D. Afonso I.
O rei ordenou que fossem queimados todos os locais onde decorriam cultos tradicionais.
Instalando a religião católica em Mabanza Congo, a construção da Catedral de São Salvador, anteriormente chamada de Igreja de Santa Maria, foi ordenada por D. Afonso I a 6 de Maio de 1492 e releva o domínio de 5 séculos do Vaticano e da Santa Sé sobre o influente reino africano que a colonização europeia dividiu e enfraqueceu.
