Por: Herculano Coroado
Vanda Marisa de Carvalho foi uma jovem que, ao concluir o Curso Médio de Jornalismo no IMEL, alimentava o grande sonho de se tornar jornalista.
Lembro-me da primeira vez que se juntou a nós, em 1997, durante a formação na Rádio Ecclesia — um projeto ainda nos seus primeiros passos, sustentado pelo apoio inestimável de Cornélio Bento, que veio de Benguela, sob orientação do Arcebispo D. Braga, para apoiar a inauguração da Rádio.
Vinda de uma paróquia de Luanda, a Vanda trouxe consigo a amizade de Gizela Nambwa, sua colega no IMEL, onde estudaram. Enquanto a Gizela já contava com a experiência empolgante de um estágio na Rádio FM Stéreo 96,5 FM, a Vanda enfrentava um grande desafio.

A direção do recrutamento colocou-a, inicialmente, no setor de jornalismo, mas a concorrência era feroz, num processo conduzido por figuras respeitáveis como o Padre Aristides Neiva, diretor da estação; Frei Luís Leitão, diretor técnico; Paulo Julião, diretor de informação; e Horácio Pedro, coordenador de locutores. Diante desse cenário, a Vanda não encontrou espaço como jornalista entre os oito candidatos selecionados.
“Assim começou a trajetória da Vanda na rádio, onde rapidamente se destacou e chegou a ser coordenadora técnica da Rádio Ecclesia, a Emissora Católica de Angola.“
Contudo, Frei Luís Leitão, um capuchinho de grande coração, convidou-a a integrar a equipa técnica após um teste adicional, oferecendo-lhe a oportunidade de aprender operação técnica de emissão, sonoplastia e edição sonora para rádio. O técnico de serviço, Carlos Daio — hoje residente em Inglaterra — foi seu mentor nesse início.
Começo da tragetória
Assim começou a trajetória da Vanda na rádio, onde rapidamente se destacou e chegou a ser coordenadora técnica da Rádio Ecclesia, a Emissora Católica de Angola.
Embora a nossa relação nem sempre tenha sido a melhor, não posso negar que ela sempre se dedicou com afinco ao seu trabalho. A Vanda cumpria as suas tarefas com zelo e um amor genuíno pela profissão, conquistando o respeito de todos os colegas à sua volta. A sua paixão e o seu compromisso tornaram-se marcas indeléveis no ambiente da rádio.
Incansável, a Vanda viu muitos chegarem e, com o passar do tempo, partirem da Rádio. Ainda assim, permaneceu firme, ao lado do outro “missionário” do grupo fundador, Cornélio Bento.
A jornalista partiu
Infelizmente, a Vanda partiu deste mundo numa unidade hospitalar, onde se encontrava em tratamento médico, em Luanda. A sua ausência deixará um vazio profundo, pois ela tratava a Rádio Ecclesia como se fosse sua: sempre com carinho e uma dedicação singular.

Além de técnica e jornalista de rádio, a Tia Vanda — como era carinhosamente chamada pelos colegas mais jovens — desempenhou muitos papéis ao longo da vida: foi filha, mãe, tia, esposa, mulher e amiga.
Neste momento de dor, peço ao Eterno que perdoe os seus pecados e tenha misericórdia dela e da sua família. Como todos nós, a Vanda era humana e mereceu a oportunidade de se arrepender.
Que o Altíssimo ampare a sua alma e traga conforto aos corações enlutados de todos os que a amavam — amigos, colegas, companheiros e familiares.
Paz à sua alma.
© Esta homenagem à Vanda reflete não apenas a sua trajetória profissional, mas também o impacto emocional que ela teve em todos nós.
