Kinshasa – O líder da coligação rebelde Aliança Fleuve Congo (AFC), Corneille Nangaa, criticou o acordo de cooperação em minerais críticos assinado entre a República Democrática do Congo (RDC) e os Estados Unidos da América, considerando-o “profundamente falho” e em violação da Constituição congolesa.
Em declarações à agência Reuters, Nangaa afirmou que o entendimento, integrado no denominado Acordo de Washington para a Paz e a Prosperidade, assinado a 4 de Dezembro, foi negociado sem transparência e à margem dos procedimentos legais previstos na legislação nacional.
Segundo o dirigente da AFC, que integra o movimento armado M23, a ausência de debate público e parlamentar compromete a legitimidade do acordo, cujo objectivo é ampliar o acesso dos Estados Unidos a minerais estratégicos congoleses, em troca de investimentos e cooperação no domínio da segurança.


Corneille Nangaa advertiu, igualmente, para o risco de conflitos futuros em torno das concessões mineiras prometidas no âmbito do acordo, sublinhando que várias zonas ricas em recursos minerais já se encontram sob contratos atribuídos a outros parceiros. O líder rebelde referiu, ainda, que grandes áreas de exploração, como Rubaya, na província do Kivu do Norte, actualmente sob controlo do M23, poderão tornar-se foco de disputas.
“Os americanos podem ter assinado o acordo, mas devem saber que o fizeram com um regime ilegítimo e corrupto”, afirmou Nangaa, numa entrevista concedida na cidade de Goma, capital do Kivu do Norte, ocupada pelo M23 desde Janeiro de 2025.

O Governo da República Democrática do Congo rejeitou as acusações, garantindo que o acordo respeita plenamente as prerrogativas constitucionais do Executivo e está em conformidade com a legislação mineira em vigor. As autoridades congolesas classificaram como especulativas as alegações sobre conflitos contratuais e asseguraram que o documento será submetido ao Parlamento para apreciação em Março próximo.
Entretanto, Corneille Nangaa confirmou que a AFC/M23 mantém contactos de coordenação em matéria de segurança com países vizinhos, nomeadamente o Ruanda e o Uganda, embora tenha negado qualquer apoio militar directo por parte de Kigali.
