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África

Líder rebelde da RDC questiona legalidade de acordo de minerais entre Kinshasa e Washington

Herculano BumbaPor Herculano Bumba29 de Janeiro, 2026Updated:31 de Janeiro, 2026Sem comentáriosMinutos de Leitura
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Leader of Alliance Fleuve Congo (AFC), Corneille Nangaa (C), a political-military movement of rebel groups including the M23 group, shakes hands with passengers in a public service taxi as he is received with jubilation by residents during a clean up excercise of the city of Goma on February 1, 2025. The Rwandan-backed M23 group was pushing south in mineral-rich eastern DR Congo as the United Nations warned the escalating conflict had killed at least 700 people in less than a week. The M23 took vital eastern trade hub Goma after intense fighting this week and has vowed to march all the way to the Democratic Republic of Congo capital. (Photo by Tony KARUMBA / AFP)
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Kinshasa – O líder da coligação rebelde Aliança Fleuve Congo (AFC), Corneille Nangaa, criticou o acordo de cooperação em minerais críticos assinado entre a República Democrática do Congo (RDC) e os Estados Unidos da América, considerando-o “profundamente falho” e em violação da Constituição congolesa.

Em declarações à agência Reuters, Nangaa afirmou que o entendimento, integrado no denominado Acordo de Washington para a Paz e a Prosperidade, assinado a 4 de Dezembro, foi negociado sem transparência e à margem dos procedimentos legais previstos na legislação nacional.

Segundo o dirigente da AFC, que integra o movimento armado M23, a ausência de debate público e parlamentar compromete a legitimidade do acordo, cujo objectivo é ampliar o acesso dos Estados Unidos a minerais estratégicos congoleses, em troca de investimentos e cooperação no domínio da segurança.

Corneille Nangaa advertiu, igualmente, para o risco de conflitos futuros em torno das concessões mineiras prometidas no âmbito do acordo, sublinhando que várias zonas ricas em recursos minerais já se encontram sob contratos atribuídos a outros parceiros. O líder rebelde referiu, ainda, que grandes áreas de exploração, como Rubaya, na província do Kivu do Norte, actualmente sob controlo do M23, poderão tornar-se foco de disputas.

“Os americanos podem ter assinado o acordo, mas devem saber que o fizeram com um regime ilegítimo e corrupto”, afirmou Nangaa, numa entrevista concedida na cidade de Goma, capital do Kivu do Norte, ocupada pelo M23 desde Janeiro de 2025.

Líder do M23, Corneille Nangaa. ©  Cyrile Ndegeya/Anadolu via Getty Images

O Governo da República Democrática do Congo rejeitou as acusações, garantindo que o acordo respeita plenamente as prerrogativas constitucionais do Executivo e está em conformidade com a legislação mineira em vigor. As autoridades congolesas classificaram como especulativas as alegações sobre conflitos contratuais e asseguraram que o documento será submetido ao Parlamento para apreciação em Março próximo.

Entretanto, Corneille Nangaa confirmou que a AFC/M23 mantém contactos de coordenação em matéria de segurança com países vizinhos, nomeadamente o Ruanda e o Uganda, embora tenha negado qualquer apoio militar directo por parte de Kigali.

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