Gambos – A insuficiência de quadros no sector da Saúde continua a preocupar as autoridades sanitárias no município dos Gambos, província da Huíla, situação que tem provocado sobrecarga de trabalho aos profissionais colocados nas diferentes unidades sanitárias da região.
A preocupação foi manifestada, ontem, na comuna do Chiange, pelo director municipal da Saúde, Felizardo Pedro Duque, que alertou para o funcionamento irregular de alguns postos de saúde, em desacordo com as normas técnicas estabelecidas pelo sector.


Segundo o responsável, há unidades que funcionam com apenas um técnico, quando, de acordo com os estatutos, um posto de saúde deste nível deveria contar com pelo menos 24 profissionais.
“Este é o maior problema ao nível do nosso município. Temos um número muito reduzido de profissionais. O município dispõe apenas de 12 médicos e 70 enfermeiros, o que é manifestamente insuficiente para responder às necessidades da população”, afirmou.
Felizardo Pedro Duque explicou que, recentemente, foi inaugurado mais um posto de saúde, o que agrava ainda mais a carência de recursos humanos, uma vez que a nova unidade também necessita de pessoal qualificado para o seu funcionamento regular.
De acordo com o director municipal, em alguns casos, o único técnico em serviço acumula várias funções, desde a realização do Programa Alargado de Vacinação (PAV), atendimento de consultas, até tarefas de limpeza, comprometendo a qualidade da assistência prestada aos utentes.
A rede sanitária do município dos Gambos é composta por 21 unidades de saúde, incluindo um Hospital Municipal e dois Centros Médicos, existindo ainda zonas recônditas sem cobertura sanitária adequada.
Para garantir uma assistência médica eficaz e assegurar o funcionamento regular das unidades existentes, o sector necessita de mais de 50 técnicos adicionais, segundo estimativas das autoridades locais.
O município dos Gambos conta com uma população estimada em mais de 100 mil habitantes, cuja principal actividade económica é a pecuária e a agricultura de subsistência. As doenças diarreicas agudas, respiratórias e de pele figuram entre as patologias mais frequentes registadas na região, de acordo com o quadro epidemiológico local.