A crise no Irã é vista por alguns como parte de uma complexa guerra geopolítica e econômica entre os EUA e a China, que abrange desde a corrida pela inteligência artificial (IA) até o controle estratégico dos acessos navais globais. A teoria sugere que os protestos são apenas a poeira que se levanta quando os dois gigantes brigam pelo domínio do século XXI.
A premissa central da teoria é que a IA requer quantidades avassaladoras de energia para alimentar os centros de dados (data centers). A China tem se beneficiado do petróleo iraniano sancionado, que chega com um desconto significativo, que varia entre 8 a 10 dólares por barril abaixo do Brent, e por vezes atinge os 17 dólares. A China importou em média 1,38 milhões de barris por dia (bpd) de petróleo iraniano em 2025, o que representa cerca de 80% do petróleo exportado do Irã e 13,4% das importações totais de petróleo da China. Este volume massivo oferece à economia chinesa um subsídio energético vital para alimentar o seu rápido crescimento de consumo de energia em centros de dados, que se prevê que duplique até 2030.

A estratégia dos EUA é descrita como uma clara operação de mudança de regime para derrubar governos que vendem petróleo barato à China. O objetivo é cortar o fluxo de petróleo com desconto, encarecer a energia do rival chinês e, assim, frear a sua corrida na AI, pois cada dólar a mais gasto em energia é um dólar a menos para investir em tecnologia e chips. A guerra, portanto, é sobre quem terá a energia mais barata para dominar a AI.
A estratégia transcende as fronteiras terrestres e foca no controle dos acessos navais principais, que a Federal Maritime Commission dos EUA identificou como pontos críticos para a segurança das cadeias de abastecimento americanas. Os pontos de estrangulamento (chokepoints) investigados incluem o Canal do Panamá, as rotas do Ártico e o Estreito de Magalhães.
Uma guerra no Irã, com o inevitável fechamento do Estreito de Ormuz, pode ser extremamente favorável aos EUA. O Estreito de Ormuz é um dos pontos de estrangulamento mais importantes do mundo, por onde passam cerca de 20% do consumo global de petróleo e gás. O seu fechamento causaria uma subida acentuada dos preços do petróleo e teria um impacto desproporcional na China, que depende fortemente desta rota. Este cenário atinge múltiplos objetivos estratégicos: complica o abastecimento de energia da China, aumenta o preço do barril globalmente e cria instabilidades e pressão sobre a economia chinesa. Embora o Estreito de Ormuz nunca tenha sido totalmente fechado historicamente, o Irã já ameaçou fazê-lo em momentos de tensão, e a mera ameaça pode causar picos de preços.


O governo iraniano afirma que a revolta no Irã é articulada de fora, principalmente pelos EUA e Israel, que visam derrubar o regime dos Aiatolás. As autoridades iranianas relataram a prisão de indivíduos que alegam ser agentes do serviço de inteligência sionista Mossad, que confessaram ter sido recrutados através de redes sociais para incitar a violência e documentar os tumultos para propaganda. Alega-se que uma campanha de guerra digital foi neutralizada, com 40 indivíduos presos por usarem Inteligência Artificial para fabricar vídeos falsos de caos.
Em conclusão, a guerra não é sobre a liberdade de um povo, mas sobre quem terá a energia mais barata para dominar o século XXI e controlar as rotas que tornam isso possível.
