Durante décadas, a cooperação militar entre Angola e Portugal desenvolveu-se de forma gradual e estratégica, assente nos domínios tradicionais da defesa: terra, mar e ar. Essa parceria consolidou-se com formação, intercâmbio técnico e programas conjuntos que reforçaram a confiança entre os dois Estados.
Na terça-feira, em Oeiras, nos arredores de Lisboa, essa relação entrou numa nova fase histórica.
Na 21.ª Sessão da Comissão Mista de Defesa Portugal-Angola, os dois países analisaram o estado actual do programa bilateral de cooperação militar, cuja execução já atinge cerca de 70%, um número que reflete o grau de compromisso e continuidade do entendimento estratégico entre Luanda e Lisboa.
Foi neste contexto que o ministro da Defesa Nacional de Portugal, Nuno Melo, apresentou ao seu homólogo angolano, João Ernesto dos Santos, uma proposta que aponta para o futuro: o alargamento da cooperação militar ao domínio espacial.


À margem do encontro, o governante português explicou que entregou ao ministro angolano uma missiva oficial do Governo de Portugal, manifestando a intenção de aprofundar a colaboração bilateral também na área do espaço, um setor cada vez mais determinante para a soberania, a segurança e o desenvolvimento tecnológico dos Estados.
Até agora, a cooperação entre os dois países concentrava-se nos meios convencionais de defesa. Com esta proposta, Portugal e Angola passam a olhar para o espaço como uma nova fronteira estratégica, onde tecnologias como satélites, observação da Terra e comunicações avançadas assumem um papel central na proteção dos territórios, na vigilância marítima e na resposta a desafios globais.
Nuno Melo sublinhou que Portugal tem vindo a investir de forma significativa no setor espacial, destacando o programa “Constelação do Atlântico”, que prevê a produção de satélites em território português, reforçando as capacidades nacionais e abrindo espaço para parcerias internacionais.



Para ambos os países, o domínio espacial representa mais do que inovação tecnológica. Trata-se de uma ferramenta essencial para reforçar a autonomia estratégica, melhorar a segurança e potenciar áreas como a monitorização ambiental, a gestão de recursos naturais e a proteção das infraestruturas críticas.
A proposta agora apresentada deverá ser analisada no quadro da cooperação bilateral existente, sinalizando a intenção clara de Portugal e Angola caminharem juntos também no espaço, ampliando uma relação histórica para responder aos desafios do presente e do futuro.
Fonte: Notícias ao Minuto
