O Presidente de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, em exercício da presidência da União Africana, expressou nesta quinta-feira uma profunda preocupação com o agravamento da situação de segurança e humanitária no leste da República Democrática do Congo (RDC). O apelo central foi por um cessar-fogo imediato e incondicional entre as partes em conflito.
A declaração foi divulgada em comunicado lido pela primeira-dama diplomática angolana após a visita oficial do Presidente da RDC, Félix Tshisekedi. Victor Lima, Secretário do Presidente para Assuntos Diplomáticos e de Cooperação Internacional, foi quem leu o texto à comunicação social.
No documento, Lourenço enfatizou com “inquietude” a deterioração da instabilidade na região, destacando os riscos não apenas para a RDC, mas para toda a região dos Grandes Lagos. A avaliação salientou a necessidade de respostas rápidas para evitar uma escalada humanitária.

O Chefe de Estado angolano reforçou o compromisso de Angola com os esforços internacionais de paz, lembrando a importância da Resolução 2173 do Conselho de Segurança da ONU e as iniciativas diplomáticas em curso nos processos de Washington e Doha.
Segundo o comunicado, essas iniciativas são consideradas fundamentais para a redução de tensões entre a RDC e o Ruanda, sinalizando que Angola vê a diplomacia como ferramenta central para encaminhar o conflito.

Lourenço, na qualidade de Presidente de Angola e de presidente em exercício da União Africana, reiterou que a diplomacia é a única via viável para o entendimento entre as partes envolvidas, defendendo diálogo e negociação como pilares essenciais de qualquer solução duradoura.
O texto exorta aos governos da RDC, do Ruanda e ao movimento M23 a cumprir rigorosamente os acordos assinados até o momento, com foco na proteção das populações afetadas pela violência e na busca de uma solução pacífica para o conflito.
O comunicado também faz um apelo à maior atuação da comunidade internacional, para reforçar os esforços em curso com o objetivo de restaurar a paz e a estabilidade na RDC. A mobilização global é apresentada como peça-chave para sustentar o processo diplomático.

Historicamente, Angola tem desempenhado um papel ativo no conflito da RDC, procurando facilitar negociações, facilitar negociações regionais e contribuir com missões humanitárias que aliviam a vulnerabilidade de populações civis afetadas pela violência.
Este envolvimento inclui, ao longo dos anos, contatos diplomáticos com várias partes interessadas, apoio a iniciativas de paz regionais e cooperação com organismos internacionais para promover uma solução política que encerre o ciclo de violência no leste congolês, mantendo-se como parte de uma voz continental pela estabilidade na região dos Grandes Lagos
