O pré-candidato à presidência do MPLA, José Carlos de Almeida, afirmou estar determinado a prosseguir com a impugnação do processo de preparação do IX Congresso Ordinário do partido, apesar de alegadas mensagens de intimidação que diz ter recebido para abandonar a disputa interna.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, José Carlos de Almeida tornou pública uma mensagem que considera dissuasiva e ameaçadora, na qual o autor questiona as suas condições de segurança, a estrutura da sua candidatura e a viabilidade da sua pretensão de concorrer à liderança do MPLA.
O remetente aconselha-o a desistir da impugnação e da corrida à presidência do partido, alegando que estaria a enfrentar figuras experientes e influentes da política angolana.
Em resposta, o político reafirmou a sua convicção de que existem fundamentos para contestar judicialmente o processo congressual, sobretudo no que respeita à gestão das candidaturas.
“Todos os factos relacionados com a preparação do Congresso, particularmente no que toca às candidaturas, são evidentes e, portanto, impugnáveis”, escreveu.


José Carlos de Almeida sustentou ainda que está preparado para enfrentar quaisquer consequências decorrentes da sua posição.
“Prefiro morrer pelos meus ideais e tornar-me herói da defesa da democracia a desistir”, declarou, acrescentando que considera estar a lutar pela democratização interna do MPLA e pelo fortalecimento das instituições democráticas em Angola.
O pré-candidato afirmou igualmente que, caso avance com a impugnação, o Tribunal Constitucional será chamado a pronunciar-se sobre as alegadas irregularidades. Segundo escreveu, uma eventual rejeição da sua pretensão poderá levantar questões sobre a credibilidade da justiça angolana.
“O Tribunal Constitucional não terá grande espaço de manobra para não dar provimento ao meu pedido de impugnação”, argumentou.
Nas suas declarações, José Carlos de Almeida também criticou a candidatura de João Lourenço à liderança do MPLA, defendendo que a mesma não resulta dos interesses do partido ou do país.
“O Presidente João Lourenço não se candidata a Presidente do MPLA pelo interesse do partido e de Angola. Candidata-se por interesse pessoal e de um pequeno grupo de militantes que incoerentemente o apoiam”, afirmou.

O político revelou ainda ter encaminhado uma denúncia pública ao Serviço de Investigação Criminal (SIC), divulgando o número telefónico associado à mensagem que recebeu, por considerar que o conteúdo configura uma tentativa de intimidação política.
A encerrar a sua mensagem, José Carlos de Almeida reafirmou que não pretende abandonar a disputa interna e comparou a sua posição à de figuras históricas que sacrificaram as suas vidas por causas nacionais.
“Muitos angolanos morreram pela Independência. Outros morreram pela Paz. Porventura, eu venha a morrer pela Democracia no MPLA e em Angola. Dou a minha vida pela democracia. Prefiro ser herói a desistir dos meus propósitos”, concluiu.

