O Zimbábue anunciou a devolução de dezenas de fazendas confiscadas durante as controversas reformas agrárias iniciadas há mais de duas décadas, acompanhada de uma indemnização avaliada em 146 milhões de dólares destinada a proprietários estrangeiros afectados pelas expropriações.
A medida envolve 67 propriedades ligadas a investidores da Dinamarca, Alemanha, Holanda, Suíça e antiga Jugoslávia, numa iniciativa que representa uma tentativa estratégica do governo zimbabueano de restaurar credibilidade financeira, melhorar relações diplomáticas e reaproximar-se dos mercados internacionais de capitais.


O Ministério da Agricultura confirmou ainda que centenas de propriedades pertencentes tanto a agricultores negros como brancos estão a ser devolvidas no âmbito do processo de regularização fundiária.
A decisão surge num contexto em que Harare procura revitalizar o sector agrícola, recuperar produtividade e atrair novos investimentos para uma economia que continua sob pressão cambial e financeira.
Analistas consideram que a compensação financeira e a reposição de direitos de propriedade poderão enviar sinais positivos para investidores estrangeiros, sobretudo em sectores ligados à agricultura comercial, exportação alimentar e agronegócio.


O histórico de insegurança jurídica em torno das terras agrícolas vinha sendo apontado como um dos principais factores de afastamento do capital internacional, após as ocupações incentivadas pelo ex-presidente Robert Mugabe no início dos anos 2000, que resultaram em sanções internacionais e forte retração económica.
Além da componente política, o plano de indemnização também possui um forte objectivo económico melhorar a imagem do país junto de instituições multilaterais e investidores globais.
Em 2020, o governo zimbabueano já havia assumido o compromisso de pagar 3,5 mil milhões de dólares em compensações aos antigos proprietários de terras, como parte de uma estratégia de reintegração nos mercados financeiros internacionais.
Especialistas acreditam que a devolução das fazendas poderá impulsionar a produção agrícola, aumentar exportações e reforçar a segurança alimentar regional, caso seja acompanhada por reformas estruturais e estabilidade regulatória.

