Cientistas anunciaram a descoberta de uma nova espécie de espinossauro no Deserto do Saara, no Níger. O predador piscívoro viveu há cerca de 95 milhões de anos e apresentava uma impressionante crista cefálica em forma de cimitarra.

O estudo foi publicado na revista Science e divulgado por pesquisadores da Universidade de Chicago. A equipe de cerca de 20 cientistas foi liderada pelo paleontólogo Paul Sereno, que batizou a nova espécie de Spinosaurus mirabilis.
“Essa descoberta foi tão repentina e incrível que foi realmente emocionante para nossa equipe”, afirmou Sereno.
Predador semi-aquático com estrutura única
De acordo com o estudo, a nova espécie se distingue do seu parente mais próximo, o Spinosaurus aegyptiacus, principalmente pela extensão dramática e pelo formato curvo da crista craniana, além de outras diferenças anatômicas sutis.
Sereno comparou o animal a uma “garça gigante” adaptada à caça em ambientes fluviais, o que levou ao apelido informal de “garça do inferno”.


Os pesquisadores indicam que a crista era recoberta por uma camada rígida de queratina — o mesmo material presente nas unhas humanas — e possuía canais internos que transportavam sangue, sugerindo possível função biológica ligada à exibição visual, comunicação ou reconhecimento entre indivíduos.
Comparação com aves modernas
Para compreender melhor a função da estrutura, a equipe analisou aves contemporâneas como o Casuarius casuarius (casuar), que possui uma proeminente estrutura óssea na cabeça. A comparação ajudou a formular hipóteses sobre o papel evolutivo da crista no dinossauro.
Os fósseis foram coletados durante expedições realizadas em 2019 e 2022 no Saara.
África como berço de grandes descobertas
O continente africano tem sido palco de importantes achados paleontológicos nas últimas décadas. Em 1999, uma equipe também liderada por Paul Sereno descreveu o Jobaria tiguidensis, um grande dinossauro herbívoro de pescoço longo descoberto no Níger e datado do Jurássico Médio.
Já em 2018, cientistas anunciaram no Egito a descoberta do Mansourasaurus shahinae, um titanossauro identificado a partir de fósseis encontrados no Deserto Ocidental.


A nova descoberta reforça o papel do Saara como uma das regiões mais ricas do mundo em registros fósseis do período Cretáceo e amplia o entendimento sobre a diversidade dos grandes predadores que dominaram a África pré-histórica.

