A França devolveu à Costa do Marfim o Djidji Ayokwe, tambor sagrado conhecido como “tambor falante”, saqueado durante o período colonial há quase um século. A repatriação foi confirmada pela UNESCO, que destacou o gesto como parte dos esforços internacionais para restaurar patrimônios africanos levados por potências coloniais.
O instrumento, central para as tradições culturais do povo Ebrie (Atchan), era utilizado para alertar sobre perigos, convocar aldeões e mobilizar comunidades. Ele foi confiscado por tropas coloniais francesas em 1916, durante a repressão à resistência local, e levado para a França em 1929.


Inicialmente mantido no, o tambor foi posteriormente transferido, em 2006, para o tambor falante”, onde permaneceu até a cerimônia oficial de devolução.
Cerimônia e apoio internacional
A entrega ocorreu em Paris, com a presença das ministras da Cultura da Costa do Marfim, Françoise Remarck, e da França, Rachida Dati. Durante o evento, autoridades destacaram o simbolismo histórico e cultural do retorno do artefato.


A UNESCO apoiou o processo por meio de seu escritório em Abidjan e destinou US$ 100 mil para auxiliar na preservação e promoção pública do tambor após sua chegada ao país africano.
Debate sobre legado colonial
A devolução ocorre em meio a um debate crescente na Europa sobre o destino de artefatos africanos mantidos em museus ocidentais. Em 2017, o presidente francês, Emmanuel Macron, comprometeu-se a acelerar a restituição de bens culturais retirados durante o período colonial.
Em 2021, a França já havia devolvido 26 tesouros reais ao Benim, também saqueados no século XIX.
O retorno do Djidji Ayokwe é visto como mais um marco nos esforços para reparar injustiças históricas e reforçar os laços culturais entre antigas potências coloniais e países africanos.

