O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo de dez dias para que o Irão alcance um novo acordo nuclear com Washington. Segundo Trump, a falta de entendimento poderá resultar em “medidas decisivas”, numa declaração que aumenta a tensão diplomática e militar no Oriente Médio.
O aviso foi feito durante o discurso inaugural do chamado Conselho de Paz para Gaza, onde Trump afirmou que as negociações com Teerã estão “indo bem”, mas continuam historicamente complexas. O presidente reiterou que o Irã “não pode ter uma arma nuclear” e indicou que os próximos dias serão decisivos.
“Precisamos chegar a um acordo significativo. Caso contrário, coisas ruins acontecerão”, declarou.
Negociações avançam, mas sem consenso
O ultimato ocorre após conversações mediadas por Omã, realizadas em Genebra. Apesar de ambas as partes terem descrito o encontro como construtivo, não houve avanços concretos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reafirmou o direito do país ao enriquecimento de urânio para fins civis, classificando-o como “inerente e não negociável”. Teerã mantém que seu programa nuclear tem caráter pacífico e rejeita a exigência americana de enriquecimento zero.


Presença militar americana é ampliada
Paralelamente às negociações, os Estados Unidos intensificaram significativamente sua presença militar na região. Relatos indicam o envio de dois grupos de ataque de porta-aviões, bombardeiros estratégicos e diversos destróieres.
Segundo o jornal The Wall Street Journal, Trump foi informado sobre a prontidão militar para uma eventual operação já nos próximos dias. Entre as opções avaliadas estariam ataques a instalações nucleares, infraestruturas de mísseis e até ações direcionadas à liderança iraniana.
Analistas descrevem o reforço militar como o maior desde a invasão do Iraque em 2003.
Histórico recente de confrontos
Em junho de 2025, durante a guerra aérea de 12 dias entre Israel e Irã, forças americanas atacaram instalações nucleares iranianas. Teerã afirmou que os bombardeios não comprometeram seu programa nuclear e reiterou que não abrirá mão do direito ao enriquecimento para fins pacíficos.


O atual impasse reacende temores de um confronto direto entre Washington e Teerã, com possíveis repercussões globais.
Reação da Rússia e alerta internacional
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou os Estados Unidos de “brincar com fogo” e alertou que ataques a instalações nucleares poderiam provocar um desastre de grandes proporções.

Moscovo também reafirmou apoio ao direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins civis e atribuiu as tensões atuais à retirada unilateral dos EUA do acordo nuclear de 2015 durante o primeiro mandato de Trump.
Risco de escalada regional
Especialistas em geopolítica avaliam que os próximos dez dias serão críticos. Um fracasso nas negociações poderá desencadear uma escalada militar com impacto direto:
- No mercado global de energia
- Na estabilidade do Golfo Pérsico
- Na segurança de Israel e aliados regionais
- Nas relações entre grandes potências
Enquanto diplomatas tentam preservar o diálogo, o reforço militar americano aumenta a percepção de que a crise pode evoluir rapidamente.

