O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que deseja incluir a Rússia e a China no recém-criado “Conselho da Paz”, um organismo destinado a supervisionar a reconstrução e estabilização da Faixa de Gaza após o conflito entre Israel e o Hamas. Enquanto Moscou demonstrou abertura à proposta, Pequim recusou o convite, citando seu compromisso com o sistema internacional liderado pela ONU.
As declarações foram feitas por Trump a bordo do Air Force One, após a reunião inaugural do conselho realizada em Washington.
“Eu adoraria ter a China e a Rússia. Precisamos de ambas. Precisamos de todas as correntes de pensamento”
Donald Trump
Conselho reúne dezenas de países, mas enfrenta resistência
O Conselho da Paz foi formalmente criado em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, e é presidido vitaliciamente por Trump. O organismo tem como missão supervisionar o cessar-fogo, coordenar ajuda internacional e liderar a reconstrução de Gaza.
Segundo a Casa Branca:
- Cerca de 40 países participaram da reunião inaugural
- Mais de 20 nações já aderiram formalmente
- Outras 35 manifestaram interesse


Os Estados Unidos comprometeram-se com US$ 10 bilhões para financiar as operações. Outros países, incluindo Cazaquistão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Catar, prometeram um total combinado de US$ 7 bilhões.
Rússia considera adesão e possível contribuição financeira

A Rússia, liderada pelo presidente Vladimir Putin, confirmou ter recebido o convite e afirmou que está analisando a proposta. Moscovo também indicou disposição para contribuir financeiramente, com uma proposta de até US$ 1 bilhão provenientes de ativos russos congelados no exterior, como parte de um possível envolvimento no conselho.
Autoridades russas destacaram que a decisão final dependerá da estrutura e do papel que o país desempenharia dentro do organismo.
China recusa convite e reforça apoio à ONU
A China, sob a liderança do presidente Xi Jinping, rejeitou formalmente a participação. Pequim afirmou que prefere trabalhar através de mecanismos multilaterais existentes, especialmente o sistema das Nações Unidas.

O governo chinês enfatizou seu compromisso com o que descreveu como “verdadeiro multilateralismo”, sinalizando preocupação com a criação de estruturas paralelas à ONU.
Aliados ocidentais também demonstram reservas
Apesar do apoio de vários países, importantes aliados dos EUA — incluindo Alemanha, França, Reino Unido e Itália — recusaram participar do conselho.
Entre as principais preocupações apontadas estão:
- Possível enfraquecimento do papel da ONU
- Estrutura de liderança centralizada
- Falta de representação palestina no organismo
Israel, por outro lado, aceitou o convite para participar.

