A Grécia está a trabalhar com quatro países da União Europeia para estabelecer centros de deportação de migrantes fora do bloco, com África apontada como destino preferencial. A informação foi confirmada pelo ministro da Migração da Grécia, Thanos Plevris, em entrevista à emissora estatal ERT.
Segundo Plevris, Atenas coordena-se com Alemanha, Países Baixos, Áustria e Dinamarca na criação de “centros de retorno” destinados a requerentes de asilo cujos pedidos foram rejeitados.

“Já não estamos a falar em termos teóricos, mas práticos”, afirmou o ministro, acrescentando que o objetivo é discutir a proposta com “países terceiros seguros, de preferência em África”, embora a localização ainda não esteja definida oficialmente.
Objetivo é conter migração irregular
De acordo com o governo grego, os centros acolheriam migrantes que não podem ser devolvidos aos seus países de origem porque esses Estados recusam readmiti-los.
A proposta integra um esforço mais amplo da União Europeia para endurecer as políticas migratórias e reduzir a pressão nas fronteiras externas do bloco.
Os países maiores da UE estariam a liderar as negociações, enquanto a Grécia participa ativamente nas discussões. Até o momento, nenhum país africano foi oficialmente identificado como possível anfitrião.
Grécia continua na linha de frente da crise migratória
A Grécia permanece um dos principais pontos de entrada na UE, especialmente pela rota do Mediterrâneo Oriental, que liga a Turquia às ilhas gregas.
Dados da ACNUR indicam que o país registou 48.771 chegadas em 2025, das quais mais de 41 mil ocorreram por via marítima. Já em 2026, até meados de fevereiro, foram contabilizadas 2.652 novas chegadas.

Entre os principais países de origem dos migrantes estão Síria, Afeganistão, Egito, Somália e Sudão.


Segundo o Eurostat, a Grécia teve uma das maiores taxas de pedidos de asilo per capita na UE no último ano, superando Espanha e Itália.
Modelo semelhante já gerou controvérsia
A ideia de criar centros fora do território europeu não é nova. Nos últimos anos, propostas envolvendo países africanos como o Ruanda enfrentaram forte contestação política e jurídica dentro da Europa.
Em dezembro de 2025, 19 Estados-membros da UE solicitaram apoio da Comissão Europeia para financiar esses centros externos, classificando-os como “soluções inovadoras” para gerir fluxos migratórios.
Debate político e jurídico deve intensificar-se
Especialistas em direito internacional alertam que a criação de centros de retorno fora da UE poderá levantar questões relacionadas a direitos humanos, garantias legais e responsabilidade internacional.
Organizações de direitos civis defendem que qualquer iniciativa desse tipo deve respeitar convenções internacionais de proteção aos refugiados.
Enquanto isso, líderes europeus enfrentam pressão interna para demonstrar maior controlo sobre a migração irregular, tema que continua a influenciar o debate político em diversos países do bloco.

