A Comissão Europeia anunciou uma nova estratégia destinada a reforçar a segurança fronteiriça de nove Estados-Membros da União Europeia que fazem fronteira com a Rússia, a Ucrânia e a Bielorrússia. A medida integra a chamada “Iniciativa Europeia de Defesa contra Drones”, anteriormente conhecida como “muro de drones”, uma proposta que tem gerado debates sobre a sua eficácia e viabilidade.
O plano foi apresentado pelo vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Raffaele Fitto, e abrange a Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia, Hungria, Roménia e Bulgária. Segundo Bruxelas, estes países enfrentam desafios relacionados com a redução do investimento, pressões demográficas e potenciais ameaças híbridas associadas ao conflito em curso na Ucrânia.


A estratégia inclui um programa de financiamento através de empréstimos no valor de 28 mil milhões de euros, bem como medidas destinadas a reforçar a segurança e a resiliência nas regiões fronteiriças. Entre essas iniciativas está o desenvolvimento de sistemas de vigilância com drones, componente central do denominado “muro de drones”, que tem sido alvo de ceticismo entre alguns aliados ocidentais e membros da OTAN.

O ministro da Defesa da Roménia, Radu Miruta, classificou anteriormente o conceito como uma “utopia”. Relatos indicam também que, em discussões internas, alguns responsáveis europeus consideraram a proposta mais como uma iniciativa simbólica do que uma solução operacional imediata, citando dificuldades logísticas e divergências políticas entre os Estados-Membros, especialmente quanto ao financiamento.
Paralelamente, a OTAN tem desenvolvido planos mais amplos para reforçar a sua presença no flanco oriental. O Brigadeiro-General Thomas Lowin apresentou o conceito da chamada “Linha de Dissuasão do Flanco Leste”, um sistema de defesa automatizado que se estenderia do Ártico ao Mar Negro e integraria drones armados, sensores avançados, inteligência artificial e sistemas de defesa aérea. A iniciativa tem previsão de entrada em operação até ao final de 2027.
Em resposta a estas medidas, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Moscovo não tem intenções agressivas contra a União Europeia ou a OTAN, mas advertiu que responderá com todos os meios disponíveis caso considere que existe uma preparação militar dirigida contra o país.

