O antigo secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Teixeira Cândido, anunciou que vai apresentar, na próxima semana, uma participação à Procuradoria-Geral da República (PGR), após alegadamente ter sido alvo de espionagem no seu telemóvel através do software Predator.
Segundo o próprio, a situação foi identificada numa verificação conduzida pela Amnistia Internacional, que terá detectado a utilização do spyware no aparelho durante o ano de 2024. O jornalista afirma tratar-se de uma grave violação de privacidade e pretende que o Ministério Público investigue o caso e responsabilize os eventuais autores.
Vou fazer uma participação ao Ministério Público para abrir uma investigação, porque trata-se de uma invasão da privacidade que viola um conjunto de direitos”, declarou.
Suspeitas recaem sobre o Estado


Questionado sobre possíveis responsáveis, Teixeira Cândido afirmou suspeitar de envolvimento estatal, lembrando que organizações internacionais já tinham denunciado, em 2023, a aquisição do software por parte de governos, incluindo Angola.
Segundo o jornalista, o Predator não é comercializado a particulares, mas apenas a instituições governamentais, cabendo às autoridades esclarecer os factos.
Como ocorreu a infecção
De acordo com o relato, o primeiro contacto surgiu através de alegados estudantes que pediram a sua opinião para um projecto. Nos dias seguintes, foram enviados vários links de páginas informativas. Após aceder a um deles, o telemóvel terá ficado infectado.

A análise forense do Laboratório de Segurança da Amnistia Internacional confirmou comunicações em rede associadas ao spyware no dia 4 de Maio, indicando que o programa estava activo no aparelho.
Software altamente intrusivo
O Predator é um programa de vigilância digital desenvolvido pela empresa Intellexa e destinado à monitorização de telemóveis. A ferramenta pode aceder a chamadas, mensagens, contactos, ficheiros e activar remotamente microfone e câmara sem conhecimento do utilizador.


Investigações anteriores também apontaram para a utilização de páginas falsas de órgãos de comunicação social como armadilha para disseminação do spyware, método que consiste em levar o utilizador a clicar em links aparentemente legítimos.
O caso é apontado como a primeira confirmação forense da utilização deste tipo de software em território angolano.
Fonte: Novo Jornal

