O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, alertou que o Chifre da África não deve se tornar “uma arena de luta entre potências estrangeiras”, em referência ao recente reconhecimento da Somalilândia como Estado independente por Israel. As declarações foram feitas na terça-feira 17, durante colectiva de imprensa conjunta com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, em Adis Abeba, na primeira visita de Erdogan à Etiópia em quase uma década.
Segundo Erdogan, a decisão de Israel “não beneficiaria nem a Somalilândia nem o Chifre da África” e pode desestabilizar ainda mais a região. Israel tornou-se, em dezembro, o primeiro Estado-membro da ONU a reconhecer formalmente a Somalilândia, provocando críticas de atores regionais e do governo federal da Somália, que considera o território parte de seu território soberano.


A Somalilândia separou-se da Somália em 1991, após uma década de guerra civil, estabelecendo um governo próprio, instituições de segurança e moeda, mas sem reconhecimento internacional. O Conselho de Paz e Segurança da União Africana declarou que o reconhecimento israelense é “nulo e sem efeito” e alertou que qualquer tentativa de alterar fronteiras por meios ilegais viola o direito internacional. O governo da Somália classificou a decisão como prejudicial aos esforços de estabilização do país.


No início de 2024, a Etiópia assinou um memorando com a Somalilândia, garantindo acesso a um porto no Mar Vermelho em troca de um possível reconhecimento, gerando tensão com a Somália. A mediação diplomática da Turquia e de parceiros regionais resolveu temporariamente o conflito.

Erdogan reforçou que disputas na região devem ser solucionadas por atores locais, sem interferência externa. Em resposta, a Somalilândia classificou os comentários de Erdogan como “interferência inaceitável” e pediu que Ancara evite ações que possam agravar as tensões.

