Os Estados Unidos teriam deportado secretamente migrantes para Camarões, incluindo pessoas sem qualquer ligação ao país e algumas com proteção legal contra expulsão, segundo diversas fontes.
Na segunda-feira, um grupo de oito migrantes chegou à capital, Yaoundé, semanas depois de ter sido divulgado que outros nove haviam sido transferidos em janeiro. As autoridades norte-americanas descrevem o processo como parte de um programa de deportação para “países terceiros”, de acordo com informações da Associated Press citando advogados.
Nenhum dos deportados é cidadão camaronês, e alguns possuíam ordens de proteção emitidas por juízes de imigração nos Estados Unidos devido a risco de perseguição em seus países de origem. De acordo com o The New York Times, os nove migrantes deportados em janeiro foram transportados de avião da Louisiana para Camarões sem saber o destino, sendo algemados e acorrentados durante a viagem.
Washington não divulgou acordos públicos com Camarões para receber migrantes de outras nacionalidades, e o governo camaronês não se pronunciou sobre as chegadas.


Durante a administração do presidente Donald Trump, os EUA buscaram acordos controversos com diversos países africanos para acolher migrantes considerados inelegíveis para permanecer nos Estados Unidos. Em novembro de 2025, Eswatini confirmou ter recebido US$ 5,1 milhões em troca de aceitar deportados, enquanto Guiné Equatorial e Ruanda teriam recebido US$ 7,5 milhões cada. Outros países africanos, como Sudão do Sul, Gana e Uganda, também firmaram acordos semelhantes.
Segundo relatório divulgado pela equipe democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado, os EUA gastaram mais de US$ 40 milhões até janeiro de 2026 em negociações com governos estrangeiros para receber deportados, caracterizadas como pouco transparentes para o Congresso e o público.
A União Africana alertou os Estados-membros para suspender acordos que possam transformar o continente numa “zona de despejo” para expulsões arbitrárias. Especialistas em direitos humanos da ONU também afirmaram que o governo Trump corre risco de violar princípios internacionais de proteção aos migrantes.
Apesar das críticas, o Departamento de Segurança Interna dos EUA defendeu as deportações como legais e essenciais para a segurança nacional.

