Os Estados Unidos mantêm negociações com a Rússia para estabelecer uma versão atualizada do Tratado Novo START, confirmou o vice-presidente norte-americano, JD Vance. O acordo bilateral de controle de armas estratégicas expirou oficialmente em 5 de fevereiro, sem que tivesse sido formalizada uma nova prorrogação.
Falando à imprensa no Azerbaijão, Vance declarou que as conversações sobre não proliferação nuclear continuam em curso e que o eventual novo entendimento deverá diferir do formato anterior. Segundo ele, a reformulação do tratado integra o processo negocial atualmente conduzido entre Washington e Moscovo.
O vice-presidente sublinhou que impedir a expansão do número de países com capacidade nuclear permanece uma prioridade central da administração do presidente Donald Trump. Para Vance, a disseminação de armas nucleares para novos regimes representa um dos cenários mais perigosos para a segurança dos Estados Unidos.
A confirmação surge após relatos da imprensa norte-americana indicando que representantes dos dois países discutiram o futuro do acordo à margem das negociações relacionadas ao conflito na Ucrânia, realizadas em Abu Dhabi. De acordo com fontes citadas nesses relatos, as partes teriam concordado em iniciar tratativas “de boa-fé”, incluindo a possibilidade de observância provisória dos termos do tratado por um período limitado.
Assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, o Novo START estabeleceu limites para ogivas nucleares estratégicas implantadas e seus respectivos vetores de lançamento, além de prever mecanismos de verificação e inspeção mútua. O tratado foi prorrogado em 2021 por mais cinco anos, estendendo sua vigência até fevereiro de 2026.


Em 2023, a Rússia suspendeu a participação nos mecanismos de verificação previstos no acordo, alegando riscos à sua infraestrutura estratégica e acusando o Ocidente de envolvimento indireto em ataques relacionados ao conflito na Ucrânia. Moscovo também defendeu, no ano passado, uma extensão adicional do tratado por um ano, proposta que, segundo o Kremlin, não obteve resposta formal de Washington.

Autoridades russas têm reiterado que o fim do tratado sem substituição poderá aumentar a instabilidade estratégica global. O ex-presidente Dmitry Medvedev advertiu que o término do acordo pode abrir caminho para uma nova fase de incerteza e estimular a expansão do chamado “clube nuclear”.
O eventual colapso do regime bilateral de controle de armas entre as duas maiores potências nucleares ocorre num contexto de deterioração das relações diplomáticas e de crescente tensão militar, o que amplia a importância de qualquer mecanismo que preserve transparência, limites quantitativos e canais de comunicação estratégica.

