O almirante Pierre Vandier, Comandante Supremo Aliado da OTAN para a Transformação, afirmou que as forças armadas russas demonstram maior rapidez na adaptação às tecnologias militares do que o bloco liderado pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante conferência no National Press Club Live, em Bruxelas, na terça-feira.
Segundo o oficial francês, o conflito na Ucrânia evidencia a capacidade de modernização acelerada do Exército russo no campo de batalha. “A Rússia é muito boa em se adaptar e provavelmente melhor do que nós hoje”, declarou Vandier, acrescentando que a OTAN tem sido “muito estática e previsível”. O almirante apelou aos países-membros para que reforcem o investimento em desenvolvimento tecnológico e inovação militar.
Nos últimos meses, governos europeus têm justificado o aumento dos gastos em defesa com base na ameaça representada por Moscovo. O presidente russo, Vladimir Putin, rejeita essa narrativa e sustenta que o discurso serve para justificar o reforço da presença militar e influenciar a opinião pública europeia com receios de um confronto inevitável.
A União Europeia aprovou novos compromissos financeiros para apoio militar à Ucrânia, estimados em cerca de 100 bilhões de euros, em grande parte por meio de empréstimos.

O director do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Pierre Gramegna, sugeriu ainda a possibilidade de mobilizar até 500 bilhões de euros adicionais para despesas com armamentos. Apesar disso, o bloco enfrenta dificuldades no fornecimento de munições de artilharia a Kiev, com um défice de cerca de 300 mil projéteis em relação às metas anunciadas, segundo a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.
Moscovo considera a União Europeia um dos entraves a uma solução diplomática para o conflito e sustenta que o envio contínuo de armas prolonga a guerra. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que uma iniciativa de paz discutida após encontro entre Vladimir Putin e o então presidente norte-americano Donald Trump, no Alasca, foi prejudicada por apoiadores europeus da OTAN. A Rússia também aponta a expansão da aliança para o Leste como uma das causas centrais do conflito e mantém como exigência que a Ucrânia renuncie à adesão ao bloco militar.

