O Presidente da República, João Lourenço, recebeu, esta terça-feira, em audiência, o co-fundador e presidente executivo da Cimeira Global de Investimento em África, Akinwumi Adesina, com quem abordou os preparativos da primeira edição do evento, prevista para decorrer ainda este ano em Angola.
À saída do encontro, Akinwumi Adesina considerou a audiência “um momento muito importante”, de recordar que a realização da cimeira em Angola foi anunciada na semana passada, no Dubai, pelo Chefe de Estado angolano, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana.

Durante o encontro, as partes avaliaram aspectos ligados à organização da cimeira, concebida como uma plataforma continental para mobilizar investimentos estratégicos para África, ligando investidores internacionais a fundos soberanos e activos dos Estados africanos.
Na ocasião, o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) sublinhou que o continente dispõe de activos estimados em cerca de seis biliões de dólares, que ainda não estão devidamente estruturados nem valorizados, devido à ausência de mecanismos adequados de estruturação financeira.

Akinwumi Adesina explicou que a nova plataforma visa facilitar o acesso a financiamento estruturado, sem comprometer a soberania dos países africanos, além de contribuir para a transformação dos activos estratégicos em fontes de financiamento, receitas em moeda estrangeira e crescimento sustentável.

O responsável destacou ainda que África é actualmente a região com maior crescimento do Produto Interno Bruto real e que as projecções do Banco Mundial apontam para uma expansão superior à de outras regiões nos próximos anos.
Segundo o co-fundador da Cimeira Global de Investimento em África, o evento vai centrar-se em três dimensões estratégicas, nomeadamente a estruturação de investimentos soberanos em sectores críticos como energia, infra-estruturas, agricultura, minerais, petróleo e gás, terras raras e turismo; a digitalização e uso da inteligência artificial, bem como a facilitação de transferências transfronteiriças; e o estabelecimento de um quadro regulatório estável, transparente e previsível para garantir segurança aos investidores institucionais.
A audiência contou igualmente com a presença da antiga representante permanente dos Estados Unidos junto das Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, que manifestou apoio à iniciativa, considerando-a uma oportunidade para atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento do continente africano.

