Três pessoas foram mortas e um padre católico, junto com outras vítimas, foi sequestrado durante um ataque à residência do clérigo na madrugada de sábado no município de Kauru, no estado de Kaduna, no norte da Nigéria, informaram fontes da igreja e da polícia.
O ataque começou por volta das 3h20 da manhã (02h20 GMT), de acordo com a Diocese Católica de Kafanchan, que identificou o padre sequestrado como Nathaniel Asuwaye, pároco da Igreja da Santíssima Trindade em Karku. A diocese afirmou que outras 10 pessoas foram levadas pelos agressores, embora as autoridades policiais tenham confirmado apenas cinco sequestros.


A polícia local detalhou que os três mortos eram membros das forças de segurança, eram dois soldados e um policial, que trocaram tiros com os atacantes. “Os agentes de segurança trocaram tiros com os bandidos, mataram alguns deles e, infelizmente, dois soldados e um policial perderam a vida”, disse ele.
O ataque em Kauru acontece apenas dias depois de as forças de segurança terem resgatado 166 fiéis sequestrados em ataques a duas igrejas em outras áreas de Kaduna, evidenciando a persistente insegurança na região.
A Anistia Internacional afirmou que a situação de segurança na Nigéria está “cada vez mais fora de controle”, acusando o governo de “incompetência flagrante” e de não proteger civis diante de ataques recorrentes de homens armados em comunidades rurais do norte do país.


O caso chamou atenção internacional, incluindo o presidente norte-americano, Donald Trump, que criticou o governo nigeriano por não proteger os cristãos, embora autoridades de Abuja tenham negado a acusação. A violência na região levou forças americanas a atacar supostos alvos terroristas no noroeste do país em dezembro do ano passado.
Em resposta, o Papa Leão XIV, durante sua mensagem semanal na Praça de São Pedro, expressou solidariedade às vítimas e reforçou a importância da proteção da vida e segurança dos cidadãos, declaou que:
“Espero que as autoridades competentes continuem a agir com determinação para garantir a segurança e a proteção da vida de cada cidadão”.
A Nigéria continua em estado de crise acentuada: a falta de segurança decorre de uma combinação de criminalidade e violência intercomunitária, bem como de terrorismo organizado e discriminação especificamente dirigida às comunidades cristãs. De acordo com o Relatório sobre a Liberdade Religiosa de 2025 da Fundação AIS, a Nigéria foi classificada como “sob perseguição”, indicando que enfrenta violações graves, sistemáticas e contínuas da liberdade religiosa.
O episódio reforça a crescente preocupação com a criminalidade e ataques armados no norte da Nigéria, especialmente contra comunidades religiosas e civis em áreas rurais.

