O Presidente da República afirmou, quinta-feira, em Luanda, que o Corredor do Lobito deve afirmar-se como um verdadeiro motor de transformação económica, capaz de impulsionar a integração regional e dinamizar a Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZCLCA).
João Lourenço discursava na Reunião de Alto Nível sobre o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito, que reuniu representantes de Angola, da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia, bem como parceiros de desenvolvimento multilaterais e bilaterais, com destaque para o Banco Mundial.


Segundo o Chefe de Estado, o projecto ferroviário tem vindo a consolidar-se como um eixo estratégico de ligação entre os três países, com elevado potencial para estimular o comércio, a produção, a logística e a transformação económica em toda a região.
“O Corredor do Lobito é mais do que um projecto de infra-estrutura. É um projecto de confiança, de integração e de futuro partilhado”, afirmou, sublinhando que o sucesso da iniciativa deve ser medido pelo impacto real na vida das populações.
Para garantir eficiência e competitividade, João Lourenço defendeu a reabilitação e interligação plena das infra-estruturas ferroviárias, rodoviárias e energéticas, incluindo a recuperação do troço ferroviário na RDC, a ligação ferroviária e rodoviária à Zâmbia e a interconexão das redes de energia.
Sem esses investimentos, advertiu, a consolidação de um corredor efectivo de desenvolvimento regional tornar-se-á mais difícil.
O Presidente explicou que o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito foi concebido para reforçar a articulação entre Estados, parceiros internacionais e investidores privados, evitando duplicações e esforços paralelos que reduzam o impacto colectivo das iniciativas em curso.
“O objectivo não é criar novas estruturas burocráticas, mas alinhar projectos, financiamentos e reformas”, frisou.
“O objectivo não é criar novas estruturas burocráticas, mas alinhar projectos, financiamentos e reformas”, frisou.
João Lourenço destacou ainda que o corredor deverá impulsionar sectores como o agronegócio, a industrialização, o fortalecimento de cadeias de valor regionais e a criação de emprego digno, com atenção especial aos jovens e às mulheres.
No plano económico, o Chefe de Estado salientou que Angola tem registado crescimento sustentado, apoiado na estabilização macroeconómica e na diversificação da economia, criando condições para investimentos estruturantes de longo prazo.


Referiu, a esse propósito, a assinatura, em Dezembro de 2025, de um financiamento de 753 milhões de dólares para a Lobito Atlantic Railway, incluindo 553 milhões de dólares da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) e 200 milhões do Banco de Desenvolvimento da África do Sul (DBSA), destinados à reabilitação e modernização do eixo ferroviário.

Para o Presidente, este financiamento reforça a credibilidade e a viabilidade económica do projecto, mas exige maior responsabilidade na execução. “As boas intenções devem traduzir-se em decisões operacionais, obras concretas e resultados mensuráveis”, concluiu.

