O aumento de registos de lepra na província do Namibe ao longo de 2025 está a inquietar as autoridades sanitárias, sobretudo devido ao abandono do tratamento por parte de alguns pacientes, situação que representa risco para a saúde pública e dificulta o controlo da doença nas comunidades.
Dados do Departamento Provincial do Programa de Controlo da doença indicam que a província passou de sete casos notificados em 2024 para 12 em 2025, crescimento considerado preocupante pelos responsáveis do sector.



Segundo o porta-voz do Programa Provincial de Controlo da Lepra, Zacarias Colino, os municípios de Moçâmedes e Camucuio concentram quatro casos cada, seguidos da Bibala, com três, e do Virei, com dois.

Embora o tratamento esteja disponível gratuitamente em todas as unidades sanitárias, as autoridades alertam que alguns doentes interrompem o processo antes da conclusão. O tratamento dura 12 meses e a sua interrupção pode provocar recaídas, deformações irreversíveis e maior risco de transmissão.
O tratamento existe, é gratuito e eficaz, mas o grande desafio é o abandono por parte de alguns doentes, o que compromete o controlo da doença”, advertiu o responsável.
Campanhas de sensibilização
No âmbito da prevenção, técnicos de Saúde realizaram uma campanha no bairro Eucaliptos, em Moçâmedes, inserida nas actividades do Dia Mundial da Lepra, celebrado no último domingo de Janeiro.



Durante a acção, a população foi informada sobre causas, sinais e importância do diagnóstico precoce. Os especialistas explicaram que a lepra é uma doença crónica infecciosa, mas curável, provocada por uma bactéria.
Entre os principais sinais destacam-se manchas na pele com perda de sensibilidade, feridas sem dor e, em fases avançadas, deformações graves e amputações.
Estigma ainda persiste

As autoridades reconhecem que o estigma social continua a ser um obstáculo ao tratamento, apesar de ter diminuído nos últimos anos graças às campanhas educativas.
O doente não precisa ser isolado. O mais importante é procurar o hospital e cumprir o tratamento até ao fim”, reforçou Zacarias Colino.
O sector da Saúde apela à população para que, perante qualquer alteração suspeita na pele, procure imediatamente uma unidade sanitária, sublinhando que o diagnóstico precoce e o cumprimento rigoroso do tratamento são fundamentais para evitar sequelas e proteger a comunidade.

