Pelo menos 20 crianças e adolescentes diagnosticados com escoliose serão submetidos, em Junho próximo, a cirurgias correctivas no bloco central do Complexo Hospitalar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento (CHDCP), numa iniciativa considerada inédita no sector público de saúde em Angola.
O anúncio foi feito pelo responsável do Serviço de Neurocirurgia da unidade hospitalar, Dr. D’jamel Kitumba, durante uma sessão de esclarecimento que reuniu pacientes e familiares.

Segundo o especialista, a campanha resulta de um esforço conjunto do Ministério da Saúde de Angola, liderado pela ministra Sílvia Lutucuta, da direcção do CHDCP e de uma parceria com a COPIA Group Companies, grupo empresarial que decidiu apoiar a iniciativa no âmbito da sua responsabilidade social.
Doença afecta milhares de jovens no país

A escoliose é uma patologia que afecta a coluna vertebral, provocando curvatura anormal e deformidades progressivas, sobretudo em crianças e adolescentes. De acordo com Djamel Kitumba, a ausência de diagnóstico e tratamento precoces pode levar, na fase adulta, a complicações graves, incluindo problemas neurológicos, respiratórios e cardíacos, comprometendo a qualidade e a esperança de vida.
Dados apresentados pelo médico indicam que cerca de 8% das crianças e adolescentes angolanos convivem com esta condição.
Rastreio será alargado a Luanda e Namibe
No âmbito do projecto, será igualmente implementado um programa de rastreio nas províncias de Luanda e Namibe, numa primeira fase, com o objectivo de identificar novos casos de forma precoce.



A direcção do hospital entende que o diagnóstico atempado é fundamental para evitar a progressão da doença e reduzir a necessidade de intervenções mais complexas no futuro.
Pacientes e famílias renovam esperança
Luísa, mãe da pequena Naísa, relatou as dificuldades enfrentadas diariamente pela filha, sobretudo na realização de tarefas básicas como higiene e alimentação, incentivando outras famílias a procurarem apoio especializado em instituições como o CHDCP.

A direcção da unidade hospitalar considera que a campanha poderá constituir um marco no tratamento da escoliose em Angola, abrindo caminho para o reforço do acesso a cirurgias especializadas no sistema público de saúde.

