O governo da Guiné-Bissau cancelou um controverso estudo sobre a vacina contra a hepatite B financiado pelos Estados Unidos, após preocupações éticas levantadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, João Bernardo Vieira, que afirmou categoricamente que o ensaio clínico “não vai acontecer”, segundo declarações citadas pela imprensa internacional.
O projeto previa a inclusão de cerca de 14 mil recém-nascidos no país africano, que apresenta uma das taxas mais elevadas de hepatite B no mundo. O estudo era financiado com uma subvenção de 1,6 milhão de dólares dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
Preocupações éticas e críticas internacionais
O principal ponto de controvérsia estava no método do estudo, que previa dividir os bebés em dois grupos: um receberia a vacina ao nascer, enquanto o outro só seria imunizado após seis semanas.
A OMS classificou o modelo como “antiético”, alertando que o atraso na vacinação poderia causar danos irreversíveis. Segundo a organização, a dose administrada ao nascimento é uma intervenção essencial de saúde pública e tem prevenido entre 70% e 95% das transmissões da doença de mãe para filho nas últimas décadas.


Especialistas e autoridades de saúde africanas também manifestaram preocupação, defendendo que pesquisas conduzidas no continente devem respeitar padrões éticos rigorosos e ser supervisionadas pelas autoridades locais.
Governo reforça soberania sanitária
O ensaio já havia sido suspenso anteriormente para revisão ética, após falhas no processo de aprovação nacional.
Apesar do cancelamento, a Guiné-Bissau mantém planos de introduzir oficialmente a dose da vacina contra a hepatite B no nascimento como parte do calendário nacional de vacinação até 2028.
A decisão reforça o debate sobre ética em pesquisas médicas em países em desenvolvimento e a necessidade de garantir proteção adequada às populações mais vulneráveis.

